ABCasa pelo mundo: pesquisa em Paris identifica tendências que devem impactar o mercado de casa e decoração

Maison&Objet e Paris Design Week revelam consumidor em busca de mais identidade, materialidade, experiência e conexão
Em setembro, Paris se transformou em um grande laboratório de tendências para os segmentos de design, decoração e comportamento de consumo. A ABCASA Associação Brasileira de Produtos para Casa e Celebrações, esteve na cidade para acompanhar de perto dois dos principais acontecimentos do calendário internacional do setor: a Maison&Objet, realizada entre 10 e 14 de setembro, e a Paris Design Week, de 10 a 19 de setembro.
A iniciativa faz parte da estratégia da entidade de ampliar sua atuação internacional e aproximar o mercado brasileiro dos principais movimentos globais. Liderada por Danni Ricci, consultora e curadora do projeto Estudo de Tendências da ABCASA, a pesquisa de campo acompanhou lançamentos, marcas, designers, exposições e diferentes espaços da cidade com o objetivo de identificar não apenas novidades em produtos, cores e materiais, mas também os comportamentos e transformações culturais que estão por trás desses movimentos.
Entre os principais sinais observados estão a valorização do feito à mão, a busca por ambientes autorais, o resgate de experiências analógicas, novas formas de receber em casa e o fortalecimento de elementos que expressem identidade e história.
Da feira para a cidade: duas perspectivas sobre o futuro do design

Na Maison&Objet, o olhar esteve voltado principalmente para o mercado, com a observação de produtos, materiais, cores, lançamentos, estratégias de marcas e propostas comerciais.
Realizada em Paris Nord Villepinte, a feira reuniu profissionais dos universos de decoração, design e art de vivre, apresentando soluções e conceitos que já começam a chegar ao mercado.
Já a Paris Design Week ampliou o campo de observação. O design ocupou diferentes pontos da cidade, entre showrooms, galerias, ateliers, museus, instalações e espaços independentes. Em 2026, o evento reuniu cerca de 500 participantes em 320 endereços, permitindo observar também experimentações, novos talentos e a aproximação entre produto, arte, cultura e comportamento.
As duas experiências ofereceram perspectivas complementares: enquanto a Maison&Objet apresentou tendências mais próximas da aplicação comercial, a Paris Design Week permitiu observar movimentos criativos que podem apontar para os caminhos dos próximos anos.
Menos perfeição, mais presença humana

Um dos sinais mais recorrentes identificados pela pesquisa foi a valorização de materiais e produtos que evidenciam o processo de criação e a presença humana.
Cerâmicas irregulares, superfícies texturizadas, vidro soprado, fibras, madeira, bordados e técnicas artesanais apareceram em diferentes propostas ao longo da programação.
Mais do que uma tendência de materiais, o movimento aponta para um cotidiano cada vez mais digital e automatizado. Em contraste com a estética das telas, filtros, imagens produzidas digitalmente, pequenas irregularidades passam a ser valorizadas como autenticidade e autoria.
O próprio Barômetro Maison&Objet 2026, realizado com mais de 1.300 profissionais de cerca de cem países, aponta distintividade, artesanato, sustentabilidade e experiência entre os fatores que vêm ganhando importância para a geração de valor no mercado.
A casa como expressão de identidade

Outro movimento observado em Paris foi o distanciamento de ambientes excessivamente padronizados.
Depois de anos de forte presença de paletas neutras e referências facilmente reproduzíveis, aparecem composições mais pessoais, com combinações de cores como rosa e vermelho, terracota e laranja, azul e verde, além de listras, florais, xadrez, animal print, objetos esculturais e peças de caráter mais lúdico ou surrealistas.
Nesse contexto, o maximalismo aparece menos como excesso e mais como expressão de identidade, repertório e liberdade de escolha.
A casa passa a funcionar como um espaço de construção de narrativas pessoais, reunindo objetos afetivos, peças vintage, arte, artesanato, referências culturais e elementos contemporâneos.
Para indústria e varejo, essa mudança amplia as possibilidades de curadoria e sortimento. Em vez de oferecer apenas uma estética pronta, cresce a oportunidade de disponibilizar produtos que possam integram diferentes estilos e histórias.
O analógico ganha novo valor

Em meio a tantas novidades tecnológicas observadas pela ABCASA também chamou a atenção a presença de objetos associados a experiências analógicas como gamão, xadrez e outros jogos de tabuleiros, apresentados em materiais e acabamentos sofisticados como pedra, couro e metal.
A tendência vai além da nostalgia. Em um cenário marcado pela hiperconectividade, atividades que exijam presença física ganham novo significado.
Jogar significa reunir pessoas, tocar objetos, conversar e compartilhar tempo longe das telas. Assim, o analógico passa a representar não apenas uma referência ao passado, mas uma experiência de presença e conexão.
Receber em casa também está mudando

A busca por experiências também apareceu nas propostas relacionadas à mesa e ao ato de receber.
Louças coloridas, misturas de materiais, objetos inesperados e composições mais lúdicas indicam uma mudança de criar experiências em casa. A formalidade dá espaço para combinações mais pessoais e criativas.
A mesa posta se aproxima, assim, do entretenimento e do design de experiência. Mais do que seguir regras, o objetivo passa a se criar uma atmosfera e proporcionar momentos memoráveis aos convidados.
E o Brasil tem ativos para se destacar

Outro ponto relevante identificado durante a pesquisa foi a conexão entre movimentos internacionais e características do design brasileiro.
Artesanato, biodiversidade, materiais naturais, ancestralidade, repertórios regionais e conhecimento manual ganham força com uma valorização internacional crescente de origem, identidade, autoria e materialidade.
Esse cenário também abre oportunidades para internacionalização dos produtos brasileiros.
Mais do que buscar uma estética internacional, o Brasil pode fortalecer justamente aquilo que o diferencia: sua diversidade cultural, seus materiais, seus saberes artesanais e suas histórias.
Esses elementos podem deixar de ser percebidos apenas como características locais e passar a ser considerados ativos de diferenciação e posicionamento no mercado global.
Da tendência à inteligência de mercado

A presença da ABCasa em Paris integra um movimento maior de aproximação com o mercado internacional. Fundada em 2016, a associação reúne atualmente mais de 650 empresas e atua conectando o setor de produtos para casa e celebrações a negócios, conhecimento, qualificação e oportunidades no Brasil e no exterior.
Mais do que acompanhar lançamentos, a proposta da pesquisa realizada em Paris é transformar os sinais encontrados nos principais circuitos internacionais em conhecimento aplicável à realidade brasileira.
Porque identificar que determinada cor, material ou produto está ganhando espaço é apenas o primeiro passo. A questão central é entender por que esses movimentos estão acontecendo agora.
Ao cruzar produto, comportamento, design e mercado, a pesquisa aponta para um consumidor que busca cada vez mais personalidade, experiência, materialidade, memória e conexão.
Para a ABCasa, acompanhar esses movimentos diretamente nos principais centros internacionais significa ampliar repertório, criar pontes entre mercados e transformar tendências globais em informação capaz de apoiar as decisões de quem desenvolve, compra, vende e comunica produtos para casa e celebrações no Brasil.




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