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Confeitaria e mesa posta: o que foi destaque na Celebra Show 2026

há 11 horas
4 min de leitura

Há um movimento silencioso acontecendo nas casas brasileiras: a mesa deixou de ser um lugar onde se come e virou um lugar onde se celebra. Um café da manhã de domingo ganha jogo americano. Um bolo de aniversário vira escultura. E o que era protocolo de grandes eventos passou a fazer parte da rotina.


Esse foi, talvez, o fio mais evidente da Celebra Show 2026. Dois segmentos que costumavam ocupar cantos distintos da feira — confeitaria e mesa posta — apareceram unidos pela mesma lógica: a de que servir virou experiência.


A confeitaria assume o protagonismo


Bolo presente no espaço Confeitando na última edição da Celebra Show
Bolo presente no espaço Confeitando na última edição da Celebra Show

Não é exagero dizer que a confeitaria roubou a cena. Inserida no setor de panificação que, segundo a Abip (Associação Brasileira da Indústria de Panificação e Confeitaria), movimenta mais de R$ 160 bilhões ao ano no Brasil e representa quase 1,3% do PIB nacional, ela chegou à feira com espaço próprio e ambição de vitrine. Para a ABCasa, a atividade deixou de ser complemento e passou a ser protagonista no mercado de celebrações — algo que se reflete diretamente no espaço que ocupa hoje dentro do evento.


O epicentro dessa transformação foi o Confeitando, um dos cinco espaços do Celebra Trends, com curadoria de Vanessa Marraschi, que tem 30 anos de experiência no setor. Ali, uma exposição de bolos artísticos sob o tema "Brasil Sensorial – Raiz, Arte e Luxo Nacional" reuniu criações em quatro categorias: Vintage Cake, Casamento, Contemporâneo e Infantil.


O próprio tema da exposição já anuncia a tendência que atravessou o segmento: a brasilidade. As propostas apresentadas destacaram referências culturais, cores, ingredientes e estéticas nacionais. "A ideia é mostrar que o Brasil tem identidade própria, sem depender exclusivamente de tendências internacionais. Existe uma valorização maior do que é nosso, com uma abordagem mais afetiva", explica a curadora. Junto a isso, veio o retorno de elementos emocionais e personalizados: bolos vintage com acabamento em bico, festas com estética retrô e decorações mais intimistas — um movimento que dialoga com a estética dos anos 80 e o charme retrô em alta.


Bolos que valem mais de R$ 10 mil


A dimensão comercial disso é concreta. Com a valorização da decoração artesanal, empreendedores de todos os portes podem alavancar o faturamento com criações que chegam a custar mais de R$ 10 mil. Pedro Campos, especialista em cake design e jurado da premiação, estima que os bolos da competição poderiam valer, em média, R$ 12 mil se fossem comercializados.


O que justifica esse valor é a técnica. Na categoria Vintage Cake, a estética do século XIX domina, com designs que remetem a castelos reais. Em Casamento, bolos de até seis andares combinam flores e acabamentos feitos à mão. No Contemporâneo, o maximalismo aparece em aplicações de papel de arroz fitado e adereços de até 20 centímetros. E no Infantil, a afetividade vira diferencial competitivo, com cores vibrantes e a reprodução de brinquedos dos anos noventa.


A mesa posta entra no cotidiano


Mesa posta presente no stand da Fetély na última edição da Celebra Show
Mesa posta presente no stand da Fetély na última edição da Celebra Show

Do outro lado do mesmo movimento está a mesa posta, em plena expansão. Ela deixou de ser recurso reservado a grandes celebrações para integrar refeições do dia a dia — e o mercado se organizou para atender essa demanda em toda a faixa de preço.


Na ponta acessível, a Fetély estreou na feira levando descartáveis para o universo da mesa posta, com itens em papéis de alta gramatura, entre 350 e 600 gramas, que oferecem resistência e elegância. No extremo oposto, a Cerâmica Luiz Salvador investiu no alto padrão, com jogos pintados à mão e detalhes em ouro 18 quilates aplicados em pratos, sousplats, tigelas, castiçais, talheres e taças.


Nas tendências estéticas, os tons claros seguem dominando as composições, acompanhados de detalhes delicados. Os itens com babados e os laços em cores variadas figuram entre as maiores apostas da temporada, ao lado das estampas florais — e, entre as novidades, as estampas com frutas tropicais em tons solares. Vale lembrar que a mesa também entra em cena no fim do ano, quando as tendências de Natal 2026 migram das árvores para os itens de servir.


O que isso significa para o negócio


Analisando o que esteve na feira, fica claro que confeitaria e mesa posta se tornaram categorias de valor agregado e não mais itens de conveniência. É um movimento que acompanha o crescimento do mercado de celebrações, que vem transformando emoção em negócios bilionários.


"Ao combinar praticidade, personalização e apelo estético, o segmento amplia seu alcance e passa a dialogar tanto com consumidores que buscam soluções acessíveis para o dia a dia quanto com aqueles que investem em experiências mais sofisticadas para receber convidados", avalia Daniel Galante, diretor executivo da ABCasa.


Na prática, são duas frentes de negócio simultâneas: atender quem quer sofisticar o cotidiano com peças acessíveis e atender quem investe alto em ocasiões memoráveis. Quem entender que os dois públicos coexistem — e que ambos compram experiência, não apenas produto — sai na frente.


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